Saturday, June 03, 2006


Recônditas lembranças?


Lôbregos passos rodeiam o medo,
rasgado perfil pescuda a siniestridade
decatando-se da nossa miséria
ficando sentada fronte ao terror
que palpita retrasadamente em nós.
Cabelos cor caoba agocham-se
num dia cheio de esplendor e luz
que se reflecte na mirada dos velhos,
observando cara o céu e previndo
as hecatombes já transcurridas
num passado ateigado de repressom.
Simplesmente, um tanatório, um velório
uns cadaleitos cobertos de rancor e ódio,
umhas bágoas escorredoiras numha face
de pel dura e resistente às lembranças,
a sua vida destruída depois dum “plof”, “plaf”
expansionista ... .
Sorrisos dos burocráticos,
miradas assasinas do estado,
a vingança dos edifícios... retorna
mentres no caroço do lume pécha-se o ciclo.[lareiras febles]
Embora o “nom ser” ferva e enraíze na terra
até tornar numha profundidade que aflore
com os ventos alísios e volte apupando
os aturujos derradeiros das línguas;
berra liberdade e nom a conquire
berra independência e retorcem-lhe o pescoço
berra repressom, e esta segue até a infinidade
do nosso povo, sem fugir, sem incumplir o nosso
desejo.

Jéssica

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